quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Folha de Papel


Nunca vi um x-acto como um grande objecto, mas à medida que o cravava mais profundamente na pele tive a certeza que fazia muito bem o seu servço.
Quando o sangue começou a ocupar-se da pele, olhei-o um pouco mais atentamente... bem, talvez atentamente não seja a palavra mais apropriada para aqui, mas sei que olhei ara aquele objecto como se fosse a coisa mais importante do mundo.
Pensei que só me lembrava do x-acto para cortar papel e fiquei a pensar nisso. Depois olhei para os meus braços, as minhas mãos, as minhas pernas e até a barriga. Até a cor se assemelhava à de um papel. E talvez fosse mesmo isso. Talvez eu não fosse muito diferente de uma folha de papel. Podiam escrever em mim, desenhar, pintar, construir algo, mas o final seria o de uma simples folha. No fim era amachucada, rasgada, queimada, deitada fora, cortada... Mas pensei melhor e achei-me mais complexa que uma folha de papel.
Por fim voltei a pensar na simples folha. Ela podia guardar desejos, sonhos, espernças, sentimentos, desabafos, desesperos e muito mais. Ela podia ser cheia. Era cheia e depois com alguma dificuldade era cortada. Mas estaria sempre cheia. Já eu estava vazia e era facilmente cortada.
Então e agora?
Agora, talvez então a folha de papel seja mais complexa e por isso seja tão facil cortar-me.

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